Da reza à magia

Outro dia me chamou atenção a obra do artista Kevin Osepa, que passou a explorar em seu trabalho o conceito espiritual do brua , um termo coletivo usado para descrever os ritos e superstições espirituais que são praticados principalmente em Aruba, Curaçao e Bonaire. Sendo ele um imigrante de Curaçao, uma antiga colônia da Holanda, viver agora na metrópole e trazer essas referências para seu trabalho, essa forma mágica de pensar, forneceu um sentimento de pertencimento e identidade. É algo que lhe dá grande conforto. Kevin é um estudante que veio para a Holanda conseguir um diploma, ele sabe bem o que é estar preso entre esses dois mundos separados, não se sentir em casa em nenhum deles. Isso durante um tempo foi algo bem recorrente para mim. E seu trabalho me inspirou essa lembrança.

A racionalidade dos grandes centros urbanos, do mundo apressado das capitais desenvolvidas, do transporte público lotado onde perdemos horas de nossa vida produtiva e criativa não permite nossa magia sincrética, não permite a presença do nosso espiritualismo. Falta-nos o entendimento coletivo de que o ofício é apenas um pedaço singelo de nós. Só um pedaço.

Nossas crendices ancestrais que vieram junto com outros povos e aqui se enraizaram parece ser motivo de riso para aqueles que se dizem muito modernos, cultos, desenvolvidos. Nosso grande arcabouço de tradição oral me enche o coração todas as vezes que eu me lembro de uma expressão popular que foi repetida inúmeras vezes até chegar a mim, ou do gosto de uma fruta que não se encontra por aqui, tenho saudade até mesmo do cheiro do pequi nas ruas da minha cidade no mês de janeiro.

Desde que me conheço por gente, não há uma noite sequer em que eu me deito sem repetir as frases internamente : “Com Deus eu me deito com Deus eu me levanto, na graça de Deus e do Divino Espírito Santo”. Ou ainda: “Jesus é meu eu sou de Jesus, Jesus vai comigo e eu vou com Jesus”. Por mais sono que eu tenha, elas ocupam minha mente de um jeito doce e calmo.  

Foto: Kevin Osepa

A religiosidade está em mim e procuro sempre resinificar algumas crenças. A bolsa no chão é um exemplo. As pessoas antigas diziam que é sinal de mau agouro. Mas eu prefiro acreditar que não. Afinal o chão, a terra, ela nos dá alimento, água, vida. Então, só posso crer que tudo que vem do chão e da terra é próspero. Logo, se minha bolsa repousar no chão por alguns momentos, eu ficarei mais rica, não pobre. A prosperidade vem do que é fértil, fecundo, frutífero, a visão da terra como ser feminino é bem nítida para mim.

E isso me faz lembrar outra coisa que a modernidade nos tirou. Meu pai sempre se indagava em voz alta, indignado, que ninguém mais escrevia cartas. Agora tudo era telefone. Revoltado ele perguntava: “Qual é o orige disso, qualé?”. Em meio a risos eu nunca soube responder. No fundo eu pensava que ele tinha razão. Sinto uma enorme saudade do tempo em que trocava cartas com minhas primas da capital, com amigas de longe. Aquelas cartas longas, coloridas, cheias de adesivos, onde a gente contava as últimas novidades de semanas. Não era essa coisa instantânea e sem graça como são hoje as nossas comunicações. A gente tinha o tempo do processamento. Quando contava uma novidade para alguém, isso já estava assentado em nós, já tinha tomado o seu lugar no mundo.

A carta é uma dívida que a gente escolhe ter, afinal se trata de uma via de mão dupla. Uma carta que vai é uma carta que vem. Ela tem seu tempo próprio, mas ela vem. Diferente dos boletos bancários, os únicos que hoje povoam as caixas de correio em nossas casas, as cartas trazem e levam notícias maduras, consolidadas. Aqueles que nunca responderam as cartas que receberam são responsáveis pela sua extinção em nossa contemporaneidade. E para aqueles que jamais receberam cartas, que vida triste levaram.

Venho do Norte de Minas, tradição, religiosidade, culinária, sol quente, festejos e cachaça são parte de mim e do imaginário popular que eu carrego. Um pouco do meu sotaque já se diluiu com o tempo, mas as minhas referências jamais se foram.  Reservo minhas crenças, minhas rezas (palavra feminina), minha espiritualidade que conversa com o que é superior, que se mostra no milagre cotidiano da vida e naquilo que é mais sagrado. No cantar dos pássaros. Reservo-me ser sábia e mística, ter a minha religiosidade sem necessariamente ter uma “religião”, até porque eu congrego todas em mim, os saberes e as bênçãos das benzedeiras da minha infância, os conselhos dos padres nos ritos sagrados católicos (desde o batismo, passando pelo catecismo e primeira comunhão até chegar a crisma), as broncas das freiras quando me pegavam roubando uvas da parreira. Os remédios amargos e gosmentos que bebi acreditando fielmente na palavra da minha mãe de que gemada de ovo com canela esquenta o peito, ou chá de cebola, alho e limão fazem milagres.

Internamente sei que devemos tirar Jesus da cruz, ele já passou tempo demais por lá, servindo de simbologia para muita coisa que agregou bem pouco à humanidade criando uma sociedade persecutória e moralista. Se insistirem nisso, a cruz pode até seguir existindo sozinha. Mas lembro aqui, a cruz foi um objeto de tortura dos Romanos, uma pena de morte longa e sofrida para quem desrespeitava suas leis marciais. Então, ao evocar uma cruz, é isso que estamos evocando também.

Dizem que o capeta tem medo da cruz…

Que ela espanta mau-olhado. Que ela liberta espíritos humanos atormentados, que exorciza o que pode provocar interferências ruins em nós. Então, por via das dúvidas eu mantenho algumas estrategicamente posicionadas em minha casa. São presentes da minha mãe, foram banhadas em água benta segundo ela e servem para minha proteção. Então, tá. Eu acolho dentro de mim isso também. Assim como os incensos, o quadro de Buda, a prática de Yoga, o meditar matinal, as orações aprendidas na infância, a proteção da saúde que os taoístas ensinaram ao sair do banho, os florais de Bach  e tantas outras coisas que abrigo em mim.

O que a gente faz para acessar a sabedoria que liberta o ser não importa, desde que isso nos ensine acolher a alegria e a tristeza, os dias de sol e os dias de chuva. Saber como atuar em cada momento da vida. Afinal, ninguém é ou será 100% feliz o tempo todo. Existem estações do ano para nos mostrar isso, ciclos naturais da vida. Felicidade são instantes da vida que valeram a pena ser vividos. O que existe é a alegria e a coragem. Quando a gente segue em frente, ainda que com medo.

O AMOR é o que resume tudo. É o amor que mora em nós que Cristo veio ensinar e isso foi um divisor de águas que me causa espanto e me deixa intrigada. Um homem bom e sábio, cujo pensamento foi tão forte que perdura até hoje. Outros vieram também antes dele. Temos uma longa história de humanidade, quem é capaz de dizer que alguém é o único? Únicos somos nós. Eu e você. Única é a nossa capacidade de aprender, de estarmos comprometidos diariamente em sermos pessoas melhores para nós mesmos e para aqueles que nos cercam e com quem dividimos a existência. 

Até quando vamos fingir que não? Até quando vamos continuar procurando fora, em santos, em deuses, aquilo que nós mesmos somos?

Esquecemos de quem somos. Precisamos nos lembrar. Fazer de tudo para retomar esse conhecimento, essa consciência roubada. Temos dentro de nós toda sabedoria do universo. Ao cuidar de nós estamos honrando essa vida que nos habita, esse milagre que se materializa e se constitui em nós.

Ô Senhora do Rosário, a Sua Casa cheira!
Cheira cravo, cheira rosa, cheira flor de laranjeira!

Clap clap! Palmas para quem?

Eu sempre gostei de bater palmas. Houve uma época da minha vida que comecei a achar muito chatos os rituais católicos dominicais das igrejas. Eu ainda os frequentava apenas para bater palmas livremente. Era assim um divertimento à parte e secreto para mim. Sempre eram minhas as primeiras e as últimas palmas a ecoarem pelos templos. E esses lugares costumam ter uma ótima acústica. Então, imaginem que era alegria garantida. Um amigo outro dia me disse que se ainda houvesse aquele trabalho de “público de auditório” eu poderia certamente ser contratada. Se alguma casa de teatro estiver lendo isso, fique à vontade. Faço freelas.

Mas voltando aos rituais, a ideia ocidental de Jesus Cristo filho de um Deus onipresente, onisciente, onipotente; o senta e levanta das missas cheias de frases programadas que são ditas de modo automático, o celibato, a opressão, as confissões, os castigos e penitências, o pecado, a mulher, Eva, satã, maçã… Tudo isso sempre me pareceu algo muito estranho. Criada dentro de um colégio de freiras, sempre existiu em mim uma inquietude enorme relacionada a esse tema.

Quem me conhece sabe que eu respeito muito a fé das pessoas, a espiritualidade de cada um na construção própria de um ser melhor para si mesmo e para o mundo que o rodeia. Religião não tem que ver com religiosidade, não são condições dependentes uma da outra.  A religiosidade é algo que carrego comigo e não abro mão de nutri-la sempre, cada dia mais. Estou aberta ao novo, ao que me alimenta a alma.

Dito isso, eu bato palmas para o pastor Henrique Vieira, para a Rita von Hunty (Tempero Drag), Silvia Federicci. Bato palmas para pessoas que se fazem perguntas no geral, pessoas que questionam o modelo imposto no qual fomos criados, especialmente nós mulheres. Este é mesmo o melhor jeito de expressar nossa religiosidade? Pergunto-me se a opressão que as mães sofreram deve ser repassada às filhas e às netas e assim sucessivamente apenas porque se aprendeu assim. E assim é. Foi.

Bato palmas para quem experimenta o novo com a liberdade de ser quem se é. Para quem ousa viver de modo mais leve, livre de dogmas e culpas, preconceitos religiosos que nos aprisionam e não servem para outra coisa a não ser domesticar nosso corpo, doutrinar nosso pensamento e nos afastar de nossa essência selvagem e criadora. Especialmente mulheres, mas não só.

Quantos erros pelo caminho, rupturas precoces com nossos sonhos, quantos julgamentos cruéis existiram em função da negação da liberdade sexual feminina. É mais fácil transformar tudo em tabu, em proibição, em castigo. É mais vantagem controlar o corpo feminino do que valorizá-lo, honrá-lo, torná-lo legítimo, belo, sagrado, profano e livre.

Em honra à beleza de ser mulher, nascer e me construir como mulher eu aplaudo e reverencio o corpo feminino, nossa natureza, nossa sabedoria milenar e ancestral. Muitas palmas!!!

Meu silêncio não é mudo

Eu fico sempre vendo essas pessoas que escrevem livros na quarentena, que escrevem milhares de coisas na quarentena, que fazem seus diários divertidos, seus podcasts, seus milhares de projetos e filhos também. Tem uma pá de mulher parindo por aí. Eu fico olhando tudo isso e pensando: gente! Eu só quero olhar a água da chuva. Observar as folhagens da minha planta subir e descer ao longo do dia na varanda de casa. Eu só quero observar o trabalho das formigas ao transportar a carcaça de um mosquito morto pelo chão da sala até o mundo fora da janela. Inclusive fazendo com maestria o transporte daquele cadáver muito maior que elas no trecho “negativo” que daria inveja a qualquer alpinista e com uma dificuldade extra que é a cortina batendo ao sabor do vento. Eu só quero isso.

@ladrilha

Sabe aquela pessoa que se senta à beira de um riacho para observar o curso da água quando cai uma folha seca na superfície e é levada pela correnteza? Então, essa pessoa sou eu e a folha seca são os meus pensamentos. Eu não quero ter que fazer nada com eles a não ser observá-los. Outro dia um beija-flor foi enganado pelo enfeite colorido de papel que tenho pendurado na varanda. Deu pena. Me senti mal. Uma impostora que engana os pobres colibris. Que tipo de gente sou eu? Pensei. Preciso urgentemente comprar um daqueles suporte de plástico com água doce dentro para tentar reparar esse erro terrível cometido contra os beija-flores que vieram inadvertidamente me visitar.

Mas ora! Será mesmo?

Uma flor de plástico com água de açúcar dentro é a melhor coisa a se fazer? Mais verdadeiro? Mais honesto? Eu nem tenho açúcar em casa. É melhor aceitar que o beija-flor tem lugares mais interessantes para visitar como as inúmeras flores de verdade disponíveis por aqui. São dracenas, pelo que eu soube. Elas perfumam a casa todos os dias de 16 às 19h na primavera. Tá tudo bem né beija-flor? Eu não sou nenhuma impostora por conta disso né?E também não sou nenhuma impostora porque não escrevi livros incríveis nesse isolamento, ou porque estou solteira e em abstinência sexual há quase 1 ano, senhor!

Ouvinte assídua de podcast, estou com preguiça de falar porque acho que já tem muita gente falando e falando e falando. Eu estou aprendendo a gostar do silencio cada vez mais. Ouvir apenas os pássaros. Todos eles, os de perto. Os de longe. Já perdi as contas do tempo que estamos em casa e já desisti de ficar sofrendo por causa disso. Até me maquiar e me vestir para ver lives de música e dançar na sala de casa sozinha com uma taça de vinho já rolou. Eu nem sei porque estou aqui contando isso. Talvez porque eu saiba que ninguém vai ler mesmo. Então está tudo bem.

Que preguiça de gente que quer falar o tempo todo, se colocar, se posicionar o tempo todo. Fazer live. Fazer podcast. Fazer evento, fazer fazer e fazer. Socorro! Será que ninguém aprendeu nada com toda essa pandemia? Parem um pouco de fazer e aproveitem o que já foi feito. Sintam o que já existe. Observem o que já está aqui. Sintam o presente sem pensar no futuro. Essa agonia está nos matando.

IG – @nell_souza

Tw – @souzaline

Marrom é a cor mais quente

O mito da imparcialidade da mídia colabora para eximí-la de uma responsabilidade que possui dentro de uma sociedade democrática em risco.

Temos visto hoje um ataque sistemático à imprensa por parte do Governo Federal e seguidores, que adota uma postura negacionista para muitos assuntos de nossa sociedade e prega inverdades em seus discursos. A imprensa tem um papel fundamental de informar as pessoas e é um ator chave dentro de um sistema democrático. Países onde existe uma democracia mais amadurecida, com processos civilizatórios mais longos, já adotam o sistema de empresas de comunicação pública, com conteúdos abertos, educativos, comprometidos com a evolução da cidadania. Diferente de uma comunicação estatal que serve a interesses de governos de acordo com a sua alternância. Uma imprensa livre e independente é um dos pilares de um regime democrático. É bastante grave assistir a esses ataques, assistir a repetidas construções de redes de desinformação vinculadas ao Governo e à família do presidente, assistir o abandono dos fatos e dos dados para dar lugar ao caráter subjetivo do que é a verdade. A verdade se alicerça em fatos e dados científicos que não estão atrelados a pontos de vista.

Dito isso, há que se pensar também no mito da imparcialidade tão perseguido pela imprensa moderna e muito ensinado em nossas faculdades de jornalismo. As pessoas só se esqueceram de mencionar que a imprensa corporativa tem nome e sobrenome. Existem muitos grupos econômicos por trás e inclusive essa foi a motivação para muitas famílias criarem no passado os seus próprios veículos de informação. Uma prática bem comum no inicio do século XX, mas que remonta aos tempos do Império no Brasil. É honesto por parte dessas empresas e grandes conglomerados que eles se coloquem com clareza editorial para que a população seja capaz de entender com quem estão lidando, ao invés de terem como verdade única o discurso de um ou de outro jornal/revista/noticiário de rádio ou TV.

Houve um tempo que era assim, mais ou menos nos anos 1930|1950. Um tempo conhecido como era da imprensa marrom, as pessoas sabiam qual linha de pensamento seguia determinado jornal, como exemplo do Última Hora de Samuel Wainer, que era getulista. Antes de haver esse mito da imparcialidade, de ter que dar duas versões, ouvir os dois lados. Por um lado, parece que é o mais ético a se fazer, mas por outro é extremamente hipócrita, principalmente quando estamos lidando nitidamente com um inimigo comum – o avanço do conservadorismo da extrema direita em todo o mundo, que coloca em risco nossas democracias duramente conquistadas com sangue suor e lágrimas.

Da imprensa real à atual” é um texto já publicado por mim aqui antes, prova de esse tipo de questionamento me acompanha há um certo tempo.

Não vou entrar no mérito da vigilância eletrônica por meio das redes sociais, nem da abominável prática da venda casada de aparelhos de telefone celular vinculados aos aplicativos de redes sociais de uma mesma empresa, nem nos dilemas éticos por trás dos algoritmos que manipulam os mais desavisados facilmente e extraem nossos dados, fotos, informações mais íntimas, nossos sentimentos e emoções. Transformando-nos em gado sem que percebamos indo direto para o abatedouro.

Importante é mencionar o fato de que, muito embora esses grandes conglomerados midiáticos tenham interesses de famílias por trás, a nossa legislação constitucional é clara em um ponto: os veículos de imprensa não têm dono. Eles recebem do Presidente da República concessões públicas de Rádio e TV. Essa concessão pode ser renovada em determinados períodos. Alguns governos com legislações semelhantes na América Latina já revogaram concessões de TV que lhes fazia oposição. Essa concepção de “donos da mídia” é muito importante ser desmascarada e há relevantes trabalhos sobre isso, como o que realiza o Coletivo Intervozes há alguns anos por exemplo.

Acredito que veículos como Brasil de Fato, A Nova Democracia, Centro de Mídia Independente, Canal Meio , Jornal Nexo, Jornalistas Livres, algumas dessas iniciativas nem tão novas, fazem um contraponto necessário.. Afinal, vândalo é o Estado que deixa grande parte de seus cidadãos e cidadãs às margens da sociedade, sem direitos humanos básicos como transporte, moradia digna, emprego e acesso à água e saneamento, por exemplo. As escolhas de Paulo Guedes interferem na vida das pessoas com capacidade de vida e morte e isso precisa ser visto da forma como é. Sem eufemismos bonitos.

“Contra a corrupção e em defesa da democracia” foi a frase motivação para muitos golpes ditatoriais no Brasil. Sem dúvida, a conta das Jornadas de Julho de 2013 resulta nos dias de hoje e grande parte dessa responsabilidade é da nossa imprensa elitista, conservadora, hipócrita e cheias de bom mocismo imparciais. A construção do antipetismo no imaginário popular das pessoas das diferentes classes sociais não tem nada de isenta ou imparcial. São muitos panos quentes sendo colocados ainda hoje, mesmo com nossa economia indo para o buraco, nossas florestas e biomas ardendo em chamas, a insegurança alimentar aumentando dentro das famílias brasileiras e uma pandemia sem controle que já matou mais de 140 mil pessoas.

Eu quero muito ver quem vai se levantar para dizer o que precisa ser dito, em alto e bom som todo dia se necessário for.

#ComunicaçãoLivre
#Democracia
#EscritusInfinitus

Esse artigo foi inspirado no podcast Novo Normal do Agora É que São Elas, escrito na rede em um domingo de 37 graus no Rio de Janeiro 🙂

Leia entrevista de Samuel Wainer no Almanaque da Folha SP em 14 de janeiro 1979.

As maiores conquistas estão além da incerteza

Essa frase eu li em um quadro por um breve momento durante uma tarde de melancolia, no dia em que eu passava diante da banca da artista que o desenhou. Me chamou atenção as cores e a personagem que aparece em várias outras cenas de seu trabalho. Tivemos então a oportunidade de conversarmos um pouco contando brevemente a nossa trajetória de vida uma para a outra, os desafios atuais de nossas vidas e de como em alguns momentos estamos nos sentindo tristes e sozinhas.

Foi muito especial aquele momento. A gente se abraçou, olhamos nos olhos e sentimos aquele afeto da cumplicidade entre duas mulheres que se identificam na busca profunda de se encontrar quem se é. Ela me disse que eu poderia escolher um quadro. Qualquer um deles. Era um presente.

Meu coração ficou com esse. Acredito que ele fala mais com o momento que estou vivenciando, a cena na qual a mulher sente um chamado interno para seguir rumo ao desconhecido com a certeza de que ela precisa ir, apenas ir. Desbravar aquilo que parece ser uma floresta escura, uma sombra onde ela terá apenas sua própria luz, sua essência, seu íntimo para guiar. Deixando para trás a sua zona de conforto, seu espaço de terra firme, seguro, cheio de estrelas e flores e libélulas, como se essa mulher plantasse algo que agora precisa florir, esse pássaro interno que quer voar.

Porém, a mulher ainda olha para trás como se deixasse ali uma parte dela, um pouco do que ela foi, alguém que se despede desse passado e sente a conexão que é forte entre aquilo que foi, aquilo que é e aquilo que será. A mulher está no meio disso tudo. No entanto, ela sabe que com base nisso, confiando em tudo isso ela é capaz e forte o suficiente para ultrapassar a onda escura da incerteza e conquistar o seu melhor, colocando a vida em movimento.

Esse quadro chama minha atenção porque é uma etapa da jornada que todas nós, em algum momento, vai viver ou já viveu . O quadro é da artista Carina Flores – Criativo Curioso a quem eu agradeço muito.

Confere aqui o desenho e outros trabalhos dela.

Para onde ela quer ir?

Rio de Janeiro

Se me perguntar por quem os sinos dobram eu vou responder com todo meu coração que é pelo Rio. Foi nessa cidade que eu pedi as bençãos de Yemanjá, foi nessa cidade que eu decidi morar. Foi no Rio que eu me vi alguém que aprecia a beleza mesmo onde há descaso e muito esquecimento. No Rio eu fiz pesquisa, eu fiz amigos, eu descobri o amor.

Em São Paulo eu descobri que amava o Rio. Descobri que o mar me faz muita falta como eu nunca havia me dado conta antes. Em São Paulo eu me voltei a um caminho mais profundo de mim mesma. Eu me vi mais em silêncio e sozinha. Eu assumi a solidão que já me acompanha há muito tempo sem ter vergonha dela. Em São Paulo eu também assumi que sou capaz de cuidar de mim, renunciar demandas, fazer novas e melhores escolhas. Foi em São Paulo que eu me olhei no espelho e percebi que meu sorriso mudou, que meus olhos ficaram diferentes e que estou ficando mais velha. Até então eu ainda não tinha percebido isso.

Acho que em São Paulo eu percebi que não se pode viver a vida como se ela fosse fácil, simples. De fato ela é. Mas a gente precisa perceber sua dureza para reconhecer e aproveitar os momentos singelos quando eles raros se mostram. Em um ano de terra da garoa eu chorei com a velhice dos outros que pedem esmolas nas ruas. Eu chorei com saudades de casa e de um tempo que não vai voltar mais. Eu chorei com a beleza de ver a vida como ela é, sem disfarces. Apenas sendo. Eu lamentei as amizades que não me quiseram, que não me acreditaram ser relevante. Eu me encontrei com os ombros daqueles que se abriram pelo caminho. Percebi que sempre fui vista como estrangeira na última década e que ao viver na cidade de forasteiros eu me senti um pouco menos estrangeira e um pouco mais solitária.

Em São Paulo e me lembrei que eu gostava de escrever. Eu redescobri minha vontade de escrever sobre mim e sobre a vida que me rodeia. Eu voltei a escrever então e me inscrevi em um curso para escritores. Em São Paulo eu tive medo de morrer sozinha. Um dia. Quando todos já tiverem ido. Percebi que muito pouco é possível adiar, afinal, o olhar de quem se ama, o abraço, o estar perto são momentos inadiáveis. A gente acha que esse tipo de coisa se repete, que haverão outros momentos iguais e que não precisamos nos preocupar com isso agora. Quando existe esse pensamento estamos inconscientes do aqui e agora e do quão preciosos eles são. Em São Paulo eu entendi que às vezes torpedos mortais passam de raspão e que o desequilíbrio e a desconexão, quando prolongados, adoecem a alma e o corpo.

Em São Paulo tive saudades do carnaval do Rio, da purpurina que brilha pelas ruas vivas da cidade. Tive saudade daquele cheiro de mar que chega assim displicente, sem avisar. Daquele barulho de buzina dos navios que se escuta ao longe cortando a baía. Realmente a gente aprende a dar valor em algumas coisas quando as perdemos.

No Rio eu vivi em São Paulo eu amadureci. Honro minha caminhada até aqui. Respeito meus passos que também vêm de longe. E agora, pergunto-me, onde quero ir? Ficar? Retornar? Permanecer?

A alma quer ficar onde eu puder me preservar e me manter. Crescer. Tudo que aprendo carrego comigo.

O Rio, por quem os sinos dobram, de onde eu estou a me despedir.. por vezes voltar
Agradecendo.

Chá Gelado

Era domingo. Cheguei em casa com aquela fome e vontade de comer a tortinha de frango que comprei acompanhada do chá mate gelado que aprendi a gostar com os cariocas. Ainda estava quentinha. Enchi o copo até o talo e fui para o quarto desfrutar. Apoiei tudo na cama e enquanto me virei para abrir a janela eis que derramou tudo, o copo por inteiro no meio do colchão. Puuuts!

Podia ser pior, pensei. Podia ser o último copo, podia ficar com sede  ou ter que ir ao mercado de novo. Algo que eu não faria definitivamente nesse clima frio de 13 graus. Ainda mais tendo eu acabado de chegar em casa. Então, podia ser bem pior. Ainda bem que não. Secar o colchão com ferro de passar era a melhor coisa que eu podia fazer. Vai deixar uma mancha na colcha que ganhei de presente da minha mãe, talvez lavando saia. Talvez não. Um descuido bobo. A fome adiada. O corre corre.

É que às vezes alguns desastres não escolhem hora nem local para acontecer. Eles simplesmente acontecem.Quando menos se espera algo acontece para nos chamar atenção, para nos fazer ficar mais espertos ao que nos acontece ao redor. Sem isso talvez seguíssemos incólumes. Algo que nos acontece chama atenção e precisa ser ouvido.

Um resfriado, uma mancha na pele, uma dor qualquer inexplicável, um término ou separação, uma ruptura de qualquer natureza, uma perda. São nessas horas e ocasiões que nós temos a chance de refletir, parar, repensar, mudar os rumos, fazer diferente. Algumas vezes é possível remediar, voltar atrás, retomar, refazer, construir novamente. Outras vezes não. Outras vezes as palavras feriram gravemente os corações, outras vezes a autodestruição chegou a limites irremediáveis, outras vezes o caminho do perdão não pode mais ser feito. Assim como o líquido refrescante do chá gelado não pode mais retornar ao copo onde estava antes de se derramar na minha cama. Lá ficou. Secou. Manchou. Se apagou.

Muitas coisas eu desejei não ter dito, feito, pensado. Porém, quando traímos a nossa própria alma nos tornamos seres irreconhecíveis até para nós mesmos. E é o apego quem nos coloca nesse caminho. A negatividade floresce nesse campo fértil. O ressentimento também. Logo, tudo isso se torna ira. O único remédio quando nos deparamos nesse ponto é a consciência, é o olhar honesto no espelho interno, os olhos não metem. Aceitar as coisas como são, como foram. Fazer as pazes com a realidade. Suportar a dor que existe ao nos defrontar com as consequências de nossos atos. Lágrima por lágrima. Um passo de cada vez.

Temer inicia seu projeto de reformas neoliberais

Enquanto isso o Brasil vai se tornando cada vez menos um país altivo e soberano

 

Foi aprovado no dia 22 de março de 2017, o Projeto de Lei (PL 4302/1998) que regulamenta a terceirização da mão de obra em atividades meio e fim nos setores público e privado, que irá agora para sanção presidencial. A nova realidade alterou as regras de terceirização em várias instâncias e setores da sociedade e fragiliza as relações de trabalho, tendo como uma das consequencias a redução dos salários. Antes do projeto, a Justiça do Trabalho só permitia a terceirização em atividades secundárias – conhecidas como atividades-meio, que não são o principal negócio de uma companhia. A medida flexibiliza as leis que regem o trabalho no Brasil, ampliando as possibilidade de terceirização dos trabalhadores e de contração temporária, que passou de três para seis meses o tempo máximo de sua duração, com possibilidade de extensão por mais 90 dias , ou seja, até nove meses. NOVE MESES DE TRABALHO TEMPORÁRIO!

Antes não havia vínculo de emprego entre as empresas contratantes e os trabalhadores terceirizados, mas havia a exigência de que 4% do valor do contrato fosse retido como garantia do cumprimento dos direitos trabalhistas e das exigências previdenciárias. O texto aprovado na Câmara não prevê tais garantias. Além disso, o terceirizado só pode cobrar o pagamento de direitos trabalhistas da empresa tomadora de serviço após se esgotarem os bens da empresa que terceiriza. Não haverá mais a responsabilidade solidária da empresa que terceiriza.
Em suma, a principal mudança se refere à permissão das empresas para terceirizar quaisquer atividades, não apenas atividades acessórias da empresa. Isso significa que uma escola que antes poderia contratar só serviços terceirizados de limpeza, alimentação e contabilidade agora poderá também contratar professores terceirizados. Também o direito à greve que todo trabalhador antes tinha está sendo revisto, pois o texto aprovado inclui a possibilidade de contratação de temporários para substituir grevistas, se a greve for declarada abusiva ou houver paralisação de serviços essenciais.

Após o relator do projeto na Câmara dos Deputados, Laercio Oliveira (SD-SE), afirmar que “ninguém faz limpeza melhor do que a mulher”, fica bastante claro o pensamento machista (porque não basta ser golpista) dos políticos brasileiros que estão a decidir o futuro das pessoas, quem morre ou vive daqui para frente e como estão sendo tratadas as mulheres e os direitos dos trabalhadores, que deixarão de existir.

Seguindo nessa linha, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”, assim fica difícil acreditar que tais medidas sejam para favorecer investimentos no país e para ampliar os empregos. Tais mudanças, assim como a proposta para a Reforma Trabalhista (Projeto de Lei – PL 6787/16) e a Reforma da Previdência (Proposta de Emenda à Constituição – PEC 287/16), são de cunho liberal e irá impactar milhares de brasileiros, não só jovens iniciando a carreira profissional, adultos no mercado de trabalho, como também servidores públicos, mães, professores, deficientes físicos, idosos, trabalhadores rurais, enfim, todos nós.

Esta foi uma vitória da gerência golpista de Michel Temer, que já havia aprovado em dezembro de 2016 a PEC 241 (ou 55), que congela por até 20 anos os gastos públicos, ou melhor dizendo, os investimentos em setores já carentes como saúde e educação. O PL da Terceirização (4302/98) foi encaminhado à Câmara em 1998 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aprovado no Senado em 2002. Por esse motivo ele não retornou ao Senado e uma vez aprovado na Câmara, em uma versão feita há 19 anos, portanto um texto desatualizado e fora da realidade atual, segue para sanção de Temer.

Reforma Trabalhista – propostas de alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

Diante do atual contexto, podemos intuir que a totalidade das medidas do Governo Federal que envolvem a relação capital e trabalho no Brasil prejudica a população, mas os políticos insistem em dizer que novos empregos serão gerados. Estudo publicado pelo Banco Mundial desautoriza essas conclusões. Em geral, a geração de empregos é mais associada à atividade econômica e à evolução da produtividade. “No Brasil, por exemplo, o setor privado criou quase 18 milhões de empregos formais entre 2002 e 2014 sem que tenha havido uma mudança relevante na legislação trabalhista”, afirmou o Diretor Nacional de Organização Sindical da Nova Central, Geraldo Ramthun no portal Fetraconspar.

O Ministério Público do Trabalho já se posicionou afirmando em nota assinada pelo procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, que o “único propósito” das alterações previstas para a CLT é o de “permitir a exclusão de direitos trabalhistas”, alertou. Em outras palavras, os acordos feitos entre empregador e empregado valerão mais do que aquilo previsto em Lei e enfraquecerá os sindicatos no processo de negociação coletiva. É fácil descobrir o lado mais fraco, aquele que irá ceder bem mais, sob ameaças do fantasma do desemprego. Ou seja, o que for negociado diretamente entre empregadores e funcionários valerá mais do que a CLT. Não haverá negociação, mas sim imposição dos patrões, como diz um ditado indiano, “genro não, marido da minha filha” (uma coisa não muda o seu caráter pelo fato de você chamá-la por um nome diferente).

Todos nós sairemos perdendo. O setor de empresários serão os mais beneficiados em um primeiro momento, pois terão o poder de reduzir salários, aumentar o desemprego, a rotatividade de funcionários e a informalidade. Mas a médio e longo prazo, com uma população empobrecida, desmotivada, doente e sem dignidade, a economia não avançará, haverá pouca circulação monetária e o que era uma crise ruim poderá se aprofundar. É perverso.

Entre as possibilidades de convensões coletivas estão o parcelamento das férias em até três vezes, compensação da jornada de trabalho, intervalos de intrajornada, plano de cargos e salários, banco de horas e trabalho remoto bem como formas de pagamento, entre outros. Para a jornada de trabalho, será permitido negociar desde que respeitado o limite máximo de 220 horas mensais e de 12 horas diárias (metade do dia, que tem 24 horas – destas, pelo menos 4 horas são gastas em transporte público), a mesma carga horária que um operário fazia nas fábricas insalúbres do início do século XX, nos primórdios da sociedade urbano-industrial). Hoje a jornada padrão é de 8 horas por dia, com possibilidade de haver 2 horas a mais. A jornada padrão semanal é de 44 horas.

Leia mais em A Roda da História.

Saiba mais sobre a Reforma Trabalhista

Reforma da Previdência – o sonho inalcansável da aposentadoria

Cedendo às pressões dos parlamentares, no dia 21 de março, Michel Temer retirou os servidores estaduais e municipais das mudanças propostas pela reforma, que incluirá somente os federais. Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que a mudança na reforma anunciada reduz “70%” da pressão que os parlamentares estavam sentindo em suas bases eleitorais, e consequentemente facilita a aprovação do projeto. Sobre a exclusão destes, a senadora do PT-PR, Gleisi Hoffmann disse em seu discurso no plenário que o atual presidente se aproveitou da crise da carne para aplicar um golpe (outro) nos servidores que supostamente seriam poupados das medidas nefastas. Segundo ela, trata-se de uma estratégia para diluir o poder popular de mobilização nas ruas das principais capitais do Brasil, obrigando esta parcela de servidores públicos terem com os Governos Estaduais os embates para garantia dos direitos, mudando o foco das manifestações.

A maior parte da população que esteve pressionando o (des)Governo Federal no último dia 15 de Março reividicando a permanência de seus direitos, eram de servidores. Sabemos que para o trabalhador do setor privado é mais difícil a participação, ainda que muitos setores ventilem uma greve geral. No entanto, a população não foi ouvida pelo poder público e muito menos pela grande mídia, que ignorou os fatos em seus noticiários e impressos, inclusive não relatando a violência policial que se seguiu, principalmente no Rio de Janeiro.

A Reforma da Previdência é um ataque direto a professores, trabalhadores rurais, policiais civis, servidores públicos federais e mulheres. Ela prevê a maior mudança no sistema de seguridade social desde a Constituição de 1988; só integrantes das Forças Armadas, PMs e bombeiros militares ficam de fora, ou seja, a força repressora do país. Ela ainda prevê a igualdade da faixa etária mínima para se aposentar entre homens e mulheres para 65 anos, um tempo de contribuição initerruptos por 49 anos, além de alcançar basicamente dois grupos de benefícios: os programáveis (aposentadorias por idade, por tempo de contribuição e especial) e os não programáveis (aposentadoria por invalidez e pensão por morte). Para os servidores federais, as mudanças se dão basicamente no cáulculo dos benefícios e no tempo permitido para acessá-los. É possível consultar esses cálculos aqui. Alguém precisa avisar ao Temer que NÃO SOMOS IMORTAIS!

Saiba mais sobre a Reforma da Previdência

“No limite, o Brasil poderia conviver com uma situação paradoxal de se situar entre as economias mais avançadas no planeta neste início do século 21, porém com o funcionamento de seu mercado de trabalho retrocedendo aos anos anteriores à década de 1950. Naquela época, quase 4/5 dos trabalhadores recebiam ao redor do salário mínimo”.

Márcio Pochmann citado por Sayonara Grillo em seu artigo “A terceirização e o papel dos tribunais no controle das práticas de precarização do trabalho”.

Sobre a reforma da previdência, Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, afirmou que “o que se pretende é o fim da previdência pública, quase a sua destruição, na medida em que estão propostos pré-requisitos tão rígidos e descolados da realidade brasileira que, se aprovada a proposta, a aposentadoria no Brasil passaria a ser uma ilusão”.

Para finalizar cito a filosofa Marcia Tiburi, em artigo publicado em coluna da Revista Cult:

Somos todos trabalhadores! A luta contra a opressão deve ser de todos! Isso quer dizer que toda luta só é luta quando ela é luta do outro. Que lutar pelos direitos das mulheres é lutar pelos direitos dos negros, que lutar pelos direitos dos negros é lutar pelos direitos das mulheres e dos índios, das pessoas trans e dos trabalhadores, que lutar pelos direitos dos trabalhadores é lutar pelos direitos das mulheres que são, mesmo quando devem descansar, trabalhadoras; que lutar por direitos não significa lutar apenas pelos seus e que não somos apenas nós mesmos que podemos lutar por nossos direitos. Todos devem lutar”.

Assista também ao ótimo vídeo do portal Justificando – Reforma TRABALHOSTA – O que todo mundo precisa saber.

FONTES:

El País – Câmara aprova terceirização para todas as atividades. Entenda o que muda

El País – Terceirização, uma votação a toque de caixa estratégica para Temer

El País – Entenda o que é a PEC 241 (ou 55) e como ela pode afetar sua vida

Huffpostbrasil – Relator da terceirização acredita que ‘ninguém faz limpeza melhor do que a mulher’

ANDES – SN – Previdência: alteração na PEC 287 não exclui estaduais e municipais dos ataques

Diário do Rio On Line – Fim da CLT. Reforma prejudica trabalhadores nas negociações

IPEA – Previdência e Gênero: por que as idades de aposentadoria entre homens e mulheres devem ser diferentes?

Brasil 247 – Matemático aponta erro de cálculo na Reforma da Previdência

Precisamos barrar o projeto de reforma da Previdência

Ele é cruel e inconstitucional

Protesto popular no Rio de Janeiro

Um grande paralização popular aconteceu na tarde de ontem, dia 15 de março, contra o projeto de Reforma da Previdência (PEC 287/2016) imposto pelo governo golpista de Michel Temer e seus comparsas. Após o histórico 8M em que milhares de mulheres tomaram as ruas do centro da cidade, este foi mais um momento em que a mensagem de repúdio ficou clara: não queremos a reforma, ela nos roubará direitos históricos conquistados, vai escravizar o ser humano em uma vida inteira de trabalho retirando-lhe o direito de uma aposentadoria minimamente digna ao final.

Somos contra a aprovação desse projeto de reforma, ela em nada beneficia o trabalhador e ao contrário, retira seus direitos ludibriando com uma propaganda enganosa na televisão e nos jornais. É importante lembrar que a juiza Marciane Bonzanini, titular da 1ª Vara da Justiça Federal de Porto Alegre, determinou, no mesmo dia das manifestações ocorridas em todo o país, que o governo de Michel Temer retire imediatamente do ar as propagandas veiculadas na mídia, sobre o projeto de Reforma da Previdência, pois entendeu que o governo Temer não poderia ter utilizado recursos públicos para financiar a propaganda. A campanha promove, segundo a magistrada, uma espécie de terrorismo junto à população.

É sabido que as mais prejudicadas com esse atual projeto de “reforma” da Previdência Social, que penaliza toda a população trabalhadora do Brasil são, em particular, as mulheres. O fim da aposentadoria por tempo de contribuição, o aumento da idade mínima para elas (que passará de 60 para 65 anos), o fim da aposentadoria especial para professores (categoria formada em sua maioria de mulheres) são alguns exemplos.


Poder popular

Eu estive nesse ato unificado junto com outras mulheres, pessoas idosas, trabalhadores e trabalhadoras, crianças com seus pais, mães com crianças de colo, muitos jovens secundaristas. Todos marcaram presença e era possível ler muitos cartazes e faixas que anunciavam a mesma mensagem: Somos contra a Reforma da Previdência. Porém, favorável à Reforma da PRESIDÊNCIA!! Urgente!!

Ana Raquel, 40 anos, militante do Partido Comunista Brasileiro e feminista, estava entre a multidão e disse que sua motivação para estar ali é lutar contra o ataque aos direitos dos trabalhadores e das mulheres. “Eu penso muito na minha mãe, que faleceu há alguns anos, ela se aposentou aos 61 anos e morreu aos 64. Se essa Reforma passa, ela hoje não poderia se aposentar. Então eu estou aqui pela minha mãe, por mim, por todas as Marias que estão aqui conscientes ou não”, desabafou.

Sônia, 57 anos, e sua amiga Elizabete, 65 anos, levantaram a luta pela UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que há alguns anos já sofre na decadência completa, sem recursos do Estado para manter serviços básicos como limpeza, pagamento dos funcionários, entre outros. “Apesar de ter condições de me aposentar, estou aqui hoje me posicionando contra a reforma da Previdência pelos jovens e pelas mulheres, gente que vai trabalhar até o fim da vida se for aprovado esse projeto”, disse Sônia. “Pela UERJ queremos que o Estado assuma sua responsabilidade constitucional com a educação pública”, disse Elizabete.

Vitória, 25 anos, disse que a situação do Brasil hoje é uma vergonha internacional. Ela vê como positiva a paralização geral de diversos grupos unificados para lutar juntos contra o projeto. “Desde as manifestações de 2013, esta é a primeira vez que eu vejo os trabalhadores de todos os setores se unindo com tanta força e gás, é histórico. É grande a minha expectativa para uma grande greve geral, os manifestos ocorreram hoje em muitos lugares do Brasil e eu acredito que temos força suficiente para não aceitar o que o governo nos quer impor”, concluiu a jovem.

Anos de desvios

Um artigo escrito por Clauber Santos Barros, acadêmico de Direito pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), há cerca de dois anos indica que ao longo dos anos 50 e 60, recursos da Previdência Social foram desviados para custear grandes obras no país como a construção de Brasília, a Transamazônia, a Ponte Rio-Niterói, as Usinas de Itaipú e Angra dos Reis, entre outras.

Os recursos desviados jamais foram devolvidos. Medidas como a criação da Desvinculação da Receita da União (DRU), que posibilita a retirada de parte do valor destinado à seguridade social repassando este valor para o orçamento fiscal, provoca o déficit da previdência, pois ao retirar dinheiro do orçamento público, a seguridade não consegue suprir as suas despesas. A última atualização da DRU foi feita na Emenda Constitucional n° 93, de 8 de setembro de 2016. Segundo o artigo, só no período de 2000 a 2007 o governo transferiu da seguridade social o equivalente a R$ 278,4 bilhões para financiar a dívida pública do país. Vem daí a falsa justificativa usada pelo Governo Federal.

 

Não existe défict

Outro ponto importante é sobre a falácia da existência de déficit nas contas da Previdência Social. Já há estudos concluídos que apontam ser falso o argumento do Governo Temer de que há um grande déficit na Previdência Social. Segundo a confederação dos aposentados e a associação de auditores fiscais, do próprio governo, em vez de faltar dinheiro para o INSS em 2015, há uma sobra de quase R$ 25 bilhões. Os auditores e aposentados alertam que o governo ignora a Constituição Federal e deixa de lado a arrecadação da Seguridade Social, que inclui as áreas de Saúde, Assistência e Previdência.

De acordo com a Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), que anualmente divulga os dados da Seguridade Social, não existe déficit. Pelo contrário, os superávits nos últimos anos foram sucessivos: saldo positivo de R$ 59,9 bilhões em 2006; R$ 72,6 bilhões, em 2007; R$ 64,3 bi, em 2008; R$ 32,7 bi, em 2009; R$ 53,8 bi, em 2010; R$ 75,7 bi, em 2011; R$ 82,7 bi, em 2012; R$ 76,2 bi, em 2013; R$ 53,9 bi, em 2014.

Atualmente, a reforma da Previdência está em análise em uma comissão especial da Câmara. Em seguida, caberá ao plenário da Casa votar a proposta e, depois, ao Senado.

Para entender mais sobre o assunto, acesse também artigo Erro na fórmula do cálculo do benefício na atual proposta de Reforma da Previdência.

Fique ligado (a)!! Venha para as ruas! Já tem luta!

Saiba mais sobre em Carta Capital

Confira todas as fotos aqui.

Tweed Ride Rio visita o Museu do Ingá

Edição de Inverno acontece com exposição de bicicletas antigas

Arte de Luisa Wasserman

Arte de Luisa Wasserman

No próximo domingo (28 de Agosto) o Tweed Ride Rio visita o Museu do Ingá, em Niterói, para mais uma edição de inverno do passeio mais charmoso da cidade. Iremos nos concentrar às 13h na Praça XV para sair de barca às 14h rumo ao nosso destino. Encontraremos os parceiros Pedal Sonoro e partiremos pela cidade com muita música no melhor estilo de antigamente. Tragam suas toalhas, vinho e quitutes para um picnic nos jardins do Museu.

Imperdível!

Imperdível!

No mesmo local, os ciclistas do passado poderão aproveitar a exposição “Bicicletas em Perspectivas: hábitos passados, usos presentes” durante nosso encontro, uma ótima oportunidade de conhecer mais sobre a história desse fabuloso veículo, velha companheira de locomoção desde o século passado.

Também teremos a ilústre participação do grupo de dança da Denise e do Luiz, que farão um aulão de Lindy Hop. Vai ser difícil ficar parado.. Vamos dançar!!

Caprichem no visual, pois como já é tradição, teremos premiação para os melhores trajes feminino e masculino, uma parceria do brechó La Botica da Jane. Ainda falando em prêmios, não para por aí. Iremos sortear duas peças do brechó Abapha Vintage, uma saia e uma blusa, mas só para mulheres que vestem P (um M sendo bem otimista), pois não há possibilidade de troca das peças. Quem se interessar poderá participar do sorteio, mas só receberá a peça quem for ao passeio de bike. Clica aqui e saiba mais!

Teremos Aulão!!

Teremos Aulão!!

Quem não tiver bicicleta e quiser participar, poderá alugar as bicis do Itaú.

Saiba mais nesse link

Venha voltar no tempo com a gente!!

 

 

 

Quer dicas de moda? Corra para o POST que fizemos com dicas incríveis!

Confirme presença no evento!!

 

Serviço

Tweed Ride Rio – Edição de Inverno no Museu do Ingá

Dia 28 de agosto

Concentração Praça XV às 13h

Saída 14h

Previsão de retorno 18h

 

Parceria:
Museu do Ingá
La Botica da Jane
Abapha Vintage Pop

Apoio:
Bike Anjo Rio
Pedal Sonoro