Adoção dos Índices de Progresso Social (IPS) é estratégia para a redução das diferenças territoriais

É possível promover o bem estar da população sem que isso esteja vinculado ao PIB do país ou região

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“Não existe empresa bem sucedida em uma nação falida”. A afirmação é de Gláucia Barros, diretora programática da Fundação Avina, responsável pelas ações da Fundación Avina no Brasil, coordenando na região da Amazônia os programas de acesso à água, energia e indústrias extrativas, cidades sustentáveis, mudanças climáticas, reciclagem inclusiva, inovação política e negócios de impacto.

Glaucia Barros, da Fundação Avina no painel "Informação para Transformação"

Glaucia Barros, da Fundação Avina no painel “Informação para Transformação”

Em sua apresentação durante o Fórum de Sustentabilidade do Rio, Gláucia mostrou que se somarmos o PIB de um local com os Índices de Progresso Social, é possível atingir um crescimento inclusivo numa região. O Índice de Progresso Social (IPS) sugere que os países do mundo devem ter como meta priorizar o progresso social e indica ainda que as desafiadoras condições econômicas locais não devem necessariamente ser um obstáculo à melhoria de vida dos cidadãos.

Entre seus principais pilares estão o atendimento às necessidades humanas básicas (nutrição e cuidados médicos, água e saneamento básico, abrigo e segurança pessoal); fundamentos do bem-estar (como acesso ao conhecimento básico, acesso à informação e comunicação, saúde e meio ambiente sustentável) e oportunidade (tolerância e inclusão, liberdade pessoal e de escolha, direitos pessoais e acesso ao ensino superior). O IPS foi criado como um complemento a outros indicadores, com o objetivo de permitir uma compreensão mais holística do desempenho geral das nações pesquisadas. Em sua avaliação são feitas as seguintes perguntas:

1) Será que um país providencia as necessidades mais essenciais do seu povo?

2) São construídos mecanismos na região local para que seus indivíduos e comunidades possam melhorar e sustentar o bem-estar?

3) Existe oportunidade para todos os indivíduos em determinado local para garantir que todos possam atingir o seu pleno potencial?

 

Em 2016 os países da América Latina e do Caribe foram relativamente piores em suas colocações em relação à edição 2015 do levantamento, ao registrarem queda em índices comparados com seu poder econômico em uma faixa de medidas de progresso social. Esse recuo é percebido especialmente em relação à tolerância e inclusão e liberdade pessoal (itens avaliados dentro da chamada dimensão de “Oportunidade”). As questões de segurança pessoal, em especial, são problemáticas, assim como o acesso à educação superior.

América Latina e resultados

Segundo Gláucia Barros, é interessante observar que em países ricos de alto PIB, quando aplicados os IPS, o que melhora mais rapidamente tende a ser os cuidados médicos e a nutrição. Os dados apontados para a América Latina ajudam na formação de quatro grupos:

– países com pontuação 72 ou superior no IPS são os que apresentam menores desafios em termos de bem-estar social em relação ao contexto da região (Chile, Uruguai, Costa Rica Argentina e Panamá). O Chile foi o melhor colocado, com uma pontuação de 82.12;

-um grupo de cinco países ocupa a faixa intermediária de 70 a 72 pontos: Jamaica, Brasil, Colômbia, Peru e México;

– dois últimos grupos estão abaixo da média dos países do continente: Equador, Paraguai, El Salvador e República Dominicana ficam com pontuação entre 65 e 70;

– já os países com déficits graves de bem-estar social, como Bolívia, Nicarágua, Venezuela, Guatemala e Honduras, têm pontuação no Índice de Progresso Social um pouco acima de 50.

Painel "Informação para Transformação" composto por Lena Lavinas, professora titular do Instituto de Economia da UFRJ; Luciana Nery, gerente de Resiliência – Centro de Operações Rio; Júnia Santa Rosa, urbanista e consultora; Glaucia Barros, diretora programática da Fundação Avina; Marcelo Mosaner, mestre em Economia Política/PUC-SP e Joana Monteiro, diretora presidente do Instituto de Segurança Pública.

Painel “Informação para Transformação” composto por Lena Lavinas, professora titular do Instituto de Economia da UFRJ; Luciana Nery, gerente de Resiliência – Centro de Operações Rio; Júnia Santa Rosa, urbanista e consultora; Glaucia Barros, diretora programática da Fundação Avina; Marcelo Mosaner, mestre em Economia Política/PUC-SP e Joana Monteiro, diretora presidente do Instituto de Segurança Pública.

O progresso social no Brasil confirma as tendências regionais: enquanto o país aparece inserido no grupo de médio-alto progresso social, na 46ª posição na avaliação média de todos os indicadores, ele aparece em 77º e 123º lugares, respectivamente, nos quesitos moradia e segurança pessoal.

Apesar disso, o Brasil lidera o grupo dos BRICS, seguido por África do Sul, Rússia, China e Índia. Exceto o Brasil, cujo avanço social, na 46ª posição, é mais alto do que seu PIB per capita (54ª), todos os BRICS têm baixo desempenho no IPS. Já em relação aos países da América do Sul, o Brasil ocupou a 4ª posição, ficando atrás de Chile, Uruguai e Argentina. Até o momento, não estamos indo tão mal assim,  veremos como fica nossa posição em um cenário golpista como este que passamos a viver a partir de março deste ano.

Mas como medir o impacto disso nas comunidades? Já existem mecanismo para medir indicadores de resultados e processos, mas não existem indicadores para medição de impacto. Nesse sentido, uma tentativa está sendo realizada em sete estados amazônicos juntamente com o governo do Pará e empresas como Coca-Cola e Natura. São 772 municípios que participam na região do Carauari para que sejam desvendadas essas métricas e modelos de medição. Inclusive, o governador Simão Jatene adotou os resultados do IPS Amazônia, apurados pelo IMAZON, como linha de base de seu plano plurianual de governo, que também será monitorado e avaliado de acordo com a progressão dos indicadores organizados.

Ver sobre o IPS Amazônia

Justiça social não combina com golpe político

Fala-se muito em equidade entre as nações e distribuição de riquezas em nível mundial, mas hoje o Brasil se compara à Mongólia em 60% (apenas) de IPS atingido. Isso faz com que pensemos: como é possível falar em redução da desigualdade social em um contexto onde alguns setores importantes da sociedade, como os empresários, ainda não reconhecem o processo político que vive hoje o Brasil como um golpe? O atual plano de governo vigente é cheio de medidas neoliberais áusteras que prevê o corte de todo e qualquer direito social. É no mínimo incoerente.

Promover a inclusão social de modo que ela se torne realidade no mundo e buscar atingir a equidade entre as nações do ponto de vista do IPS é fundamental. No entanto, permitir que o governo interino libere compra de territórios indígenas por estrangeiros e privatize nossas riquezas não está definitivamente contribuindo para o crescimento do Brasil e seu progresso social. Ao contrário. É retroceder nesse objetivo. Se o setor privado e as entidades de pesquisa não entendem isso, é provável que todas as iniciativas serão em vão.

Ainda temos déficits importantes em segurança pessoal (ele aparece entre as dez últimas posições do ranking) e também em cuidados médicos básicos e de moradia. Os resultados da edição 2016 do IPS mostram que, embora haja uma correlação entre o progresso social e o PIB, o crescimento econômico está longe de garantir avanços no campo social.

Pelo visto, o PIB não é tudo. Há exemplos como a Costa Rica que promove um alto progresso social com um PIB modesto. Focar no desempenho do Canadá e Austrália para aprender o que seus líderes estão fazendo para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos pode ser um caminho.

#socialprogress 2016

#socialprogress 2016

“É valioso ter novas métricas que nos ajudem a identificar as muitas outras riquezas, além da econômica, que se requerem para o desenvolvimento justo, democrático e sustentável. Isso, especialmente para o contexto brasileiro e em tempos de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, faz muito sentido para que governos, empresas e organizações sociais tomem melhores decisões e possam medir o impacto efetivo de seus investimentos na qualidade de vida das pessoas e dos bens ecossistêmicos”, disse Gláucia Barros, que coordena também a estratégia do Índice de Progresso Social no Brasil e em outros sete países da América do Sul.

Sobre o PIB e o que o IPS pode revelar sobre seu país:

TED Talks – Michael Green, criador do IPS, explica.

Saiba mais:

Durante o Fórum de Sustentabilidade do Rio foi recomendado a adoção do IPS para o Rio de Janeiro

Progresso Social

Avina

A importância da mensuração do IPS em comunidades

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