Da servidão moderna

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Precisei de dois dias para assistir ao documentário Da servidão moderna (2009), de Jean-François Brient e Victor León Fuentes. O filme se apresenta na rede social vimeo disponível para livre uso, mas não é de fácil digestão.

Realmente destruir o poder (e não conquistá-lo) é uma premissa nova e vai ser um longo caminho, pois o nível de escravidão é enorme e até lá teremos que comer, viver, amar, dançar.. Ou seja, de um jeito ou de outro, como o filme mesmo diz, se exilar é impossível nesse contexto atual, onde tudo está envenenado a serviço da submissão humana (da comida à cultura).

Inevitavelmente vamos precisar de dinheiro até que outras formas de organização sejam construídas. Eu vejo que a adoção da bicicleta em si já é uma desobediência, já é um atalho rumo a essa evolução que queremos. A permacultura é outro caminho, a democratização da comunicação e a luta dos hackers sociais pela segurança de nossos dados pessoais na internet é outra, até a atitude de não votar (para escolher o que nem sequer é escolha) é uma forma de seguir o caminho inverso.

A solução ninguém tem, nem mesmo o filme. Mas é inspirador seu anarquismo latente, sua convocação à desobediência, as citações dos autores… Tudo isso é para mim uma obra prima. Acredito que o que podemos fazer, por ora, é compartilhar para que ele seja visto pelo maior número de pessoas possível.

Em algum momento todos nós teremos que voltar às nossas origens e repensar a humanidade. Para aqueles que quiserem se aventurar, segue abaixo o link do filme e um pequeno trecho do texto narrado. No entanto, não indico a quem está deprimido. Com uma faca ou um 3.8 na mão ninguém aguenta.

Somos escravos modernos e pagamos alto pela nossa cela.

Somos escravos modernos e pagamos alto pela nossa cela.

“A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir. Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação. Aí está a estranha modernidade da nossa época. Contrariamente aos escravos da antiguidade, aos servos da Idade média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje em dia frente a uma classe totalmente escravizada, só que não sabe, ou melhor, não quer saber. Eles ignoram o que deveria ser a única e legítima reação dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.”

Clica aqui e assista.Da Servidão Moderna

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2 comentários sobre “Da servidão moderna

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