Diário de uma despedida

23 de agosto –
Depois de tanto tempo, algumas semanas, vários dias.. Hoje foi o primeiro dentre tantos que não chorei por você. Fui ao supermercado, comprei tangerinas e apenas sorri.
O céu começa a se abrir de novo.. já consigo ver um pouco do azul que logo estará a cobrir tudo por sobre mim.
Acho que finalmente comecei te esquecer.
E sabe do que mais? Lá na minha terra chamamos tangerina de mexerica.
Eu acho mais bonito assim!
E há quem diga que EU sou mais bonita sem você.
25 de agosto –
Somente uma coisa a declarar: O quanto antes eu frequentar os lugares que eu estive com você, mais rápido esqueço tua presença!!

 
27 de agosto –
O dia de teu aniversário foi o pior. Poupe-me de lembrar que você existe, é demais! Eu só queria que esse dia acabasse logo para voltar a te esquecer, serena e tranquilamente.
Quer fazer um favor pra todo mundo? Se joga no abismo!
4 de setembro –
O seu retorno era para ser um dia feliz, mas esta expectativa já não existe há um mês. A felicidade é gota de orvalho!







9 de setembro –
Dia de dizer adeus e até nunca mais.
Dia de cortar os laços, desatar os nós.
Dia de deixar as últimas lágrimas rolarem.
Dia de respirar fundo, olhar adiante e ver que tenho uma vida inteirinha pela frente e que teus precoces cabelos brancos são só o sinal da culpa que sentes por fazer mal às pessoas que te amaram. Os que eu terei serão coisas da vida que viverei sem você.
Não chore como um bebê. Foi você quem quis assim. Agora se surpreende?
A vida me deu uma rasteira, mas acho que no fundo ela me fez um enorme favor. Ainda bem que aprendi na capoeira a não cair de bunda. Estou machucada, mas a cura é rápida como uma ginga!
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3 comentários sobre “Diário de uma despedida

  1. didakhos disse:

    Eu também chamo de mexerica… então, não sei se vc tá pegando pesado.. até porque, inusitadamente, eu já estive do outro lado contigo, ou desse mesmo lado mas na situação inversa, ou o contrário disso e vice-versa.

    Acho que o tempo será bom, ver a poeira abaixar e só aí dizer quem errou de fato ou não.

    Agora, uma coisa aprendi de verdade: o tempo só consome com aquilo que ele produziu. Se não foi ele que fez, ele não desconstrói. Então, aquilo que ficou de bom ou ruim relativo a esse cara, que não foi construído pelo tempo, mas por momentos únicos de intimidade, ficará até serem ressignificados por você. O tempo, nesse caso, nada poderá fazer.

    Abraços.

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  2. URBANO LUMIERE disse:

    Conheço tangerina e mexerica como duas frutas distintas. Mexerica também é chamada de bergamota (não sei porque, mas é assim no sul do Brasil). Numa relação estável faz vinte anos, essas narrativas são, para mim, narrativas. Embora o cotidiano das relações estáveis também tenham suas histórias.

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