Depois daquele dia, uma história se passou

Numa quinta-feira, véspera de feriado de São Jorge, ele o guerreiro, e ela, após um dia inteiro de trabalho, voltava para casa andando vagarosamente enquanto pensava na possibilidade de uma cerveja. Sim. Ela gostaria.
Imaginou uma companhia para tal programa, mas esta não existia. Tentou até. Mas sabe como é, amigos são cada dia mais raros.
Passou pelo primeiro bar e ali só havia velhos de cabelos brancos falando de futebol. O segundo era muito apertado para o tamanho de sua solidão. Não dava. As pessoas iriam estranhar. Já o terceiro bar era mais próximo de sua casa, mas era também muito sujo e lotado de gente. Somente duas mulheres negras e velhas bebiam no balcão do bar além dos homens que ocupavam as mesas.
Já quase desistindo, parou na esquina seguinte. Decepcionada com aquela cidade, que não era a sua e que não a servia quando precisava, viu enfim, numa calçada à direita um bar, uma mesa e uma cadeira. Já cansada de caminhar em vão, não hesitou. Seria ali. Sentou. Olhou. Respirou. Viu que havia mais três mesas ocupadas além da sua. Um bicheiro, ainda com seus jogos expostos, um homem sozinho e três jovens muito jovens.
 
Não. Ela não precisava falar com eles. Desanimava-lhe a idéia de voltar ao seu quarto da casa azul onde morava com outras desconhecidas. Faltava-lhe um amor que a pudesse esperar em casa. Em outra casa. Não aquela em que morava. Pouco depois o jogo foi guardado pelo bicheiro. Fazia calor. A Devassa estava muito gelada e o papo no local era a Copa do Mundo. Os homens reclamavam que a África do Sul estava mais em evidencia do que o próprio campeonato que se aproximava.
 
Ela não via isso como algo ruim, mas sim, a coisa estava acontecendo conforme diziam ali. Havia pouco, um dilúvio atingira aquela pobre cidade, reflexo quase apagado de uma capital fluminense do outro lado do espalho dágua. “E se uma água dessas cai no dia da Olimpíada no Rio de Janeiro?”  – perguntava o gordo para os outros homens do bar esperando alguma resposta. Melhor seria não prestar atenção no assunto alheio, caso contrário poderia ser obrigada a se pronunciar. Ficou, então, ali a pensar em um possível final para esta história. Seria melhor pedir a segunda e esperar para ver.
 
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Um comentário sobre “Depois daquele dia, uma história se passou

  1. harryut disse:

    DAQUELA HISTORIA QUE VC VIVE NESTOS DIAS ,DAQUELES BARES ,DAQUELE POVO INDIFERENTE ,MAS SEMPRE ELA PRA NOS ANIMAR(CERVEJA) ,SEM JULGAR NEM FALAR ,VAMOS MUDAR NOSSA HISTORIA PRA ADIANTE SEMPRE PRA ADIANTE ,A FUNCAO ACABA DE COMECAR

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