FotoCineBar


Na verdade ela acha que ainda é possível encontrar alguém. Não há como saber onde, mas é possível. É claro que sua militância política já lhe havia rendido alguns namorados que de certo a admiraram e fizeram sexo como ninguém. O problema é que eles haviam ido há muito e agora se encontrava no alto de seus 27 anos sozinha.

Não era de se jogar fora, era bem bonita na verdade. Tinha cabelos claros pouco abaixo da orelha e olhos expressivos; dentes longos e boca grande. Tinha a mania de morder de leve o canto esquerdo da boca, mania que adquiriu quando usou aparelho fixo por um ano e meio. Os dentes haviam entortado por puro nervosismo, timidez encolhida e vontade de voar. Ela gostava de estudar seus textos sobre cinema no bar próximo de casa, quando tomava uma cerveja e vez ou outra flertava com algum solitário. Entretanto ela não entendia porque os solitários nunca paravam de falar ao celular enquanto flertava-a.

Talvez porque também ela nunca parava de ler e sempre tinha seu MP3 ao ouvido com algum Jimi Hendrix, Tom Zé ou Los Hermanos a badalar melodias. Pensava. Até sorria algumas vezes, mas nunca passou disso. Porque passaria?

_ OI. Estou te vendo me olhar, será que não quer se sentar aqui e tomar comigo esta cerveja que acabei de pedir só para continuar esse flerte com você? ( Cruzes! Mas o que é isso? Estou louca?) Continha-se sempre.

Melhor! Mandaria um bilhete pelo garçom. Afinal é mais discreto. Ahhhh! Mas não. Seria ridículo. O carinha está bem ali à sua frente e é claro que a veria fazendo a estratégia insana. No entanto, ela sempre permanecia como quem não quer nada, algo muito melhor, sem dúvida, para espantar os coroas que sempre acham que vão conseguir alguma coisa. Eles não fazem seu tipo.

_ Eu acho que ele teve medo do inusitado. Só que as chances passam, meu bem. O tempo em fração passa rapidamente, no tempo de um olhar, no tempo de um palpitar. As fugas existem e se fazemos uso delas, mesmo que não saibamos, estamos fazendo uso da possibilidade infeliz de desistir antes de tentar, antes de um blá! E aí, vou te contar! Não há como adivinhar se Caymim vai chegar. Amanhã é longe demais. Pra ser sincera, tenho dúvidas se ele teria coragem mesmo.

Esta história não tem um final feliz porque ela ainda permanece olhando ao redor quando bate sua solidão caseira e não resiste ao ímpeto de se sentar no bar, sozinha com seus livros, papel e caneta. Apesar de não acreditar muito no caráter exótico de sua beleza, deixou de pensar em se matar há poucos meses atrás e segue a imaginar seu futuro.

Um pouco de Viviane Mosé para finalizar!!

 

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