Nada muito normal no rio que passou..

 Parque Estadual São Gonçalo do Rio Preto: Magnífico!

Depois de passar um ano novo bastante inusitado, sem ter sido programado, decidido às pressas no dia 31 às 15h da tarde, horário de verão de Brasília; depois de ter ido junto com mais três amigos para uma reserva ecológica na região norte do estado de Minas Gerais, próxima a Diamantina; fui para a Bahia. Mas calma, ainda chegaremos lá. Falemos de São Gonçalo do Rio Preto.

Bom, chegamos na cidade às 20h do último dia do ano. Precisávamos chegar logo porque a nossa amiga salvadora, Vanessa, sofre de fotofobia e não consegue dirigir à noite. A cidade era arrumadinha, de povo simples. Fomos direto para um barzinho na praça central da cidade conversar um pouco, decidir o que fazer e pedir alguma opinião para os nativos da cidade. Na igreja localizada na praça acontecia uma missa, dava para ouvir os cânticos católicos de onde eu estava. Ficamos então sabendo que iria acontecer um lual em comemoração ao Ano Novo, algo patrocinado por algum político qualquer da cidade. Ficamos sabendo também que havia um senhor ao qual pertencia um estacionamento e era com ele que deveríamos falar no sentido de conseguir permissão para acampar em seu terreno.

E lá fomos nós, animadíssimos com a ideia de lugar seguro para as barracas e ainda de quebra um lual. O problema é que mal sabíamos que o dito lual era nada mais nada menos que o show de uma bandinha de forró com efeitos eletrônicos de teclados. O nome da banda? “Fala Sério”. Algo mais sugestivo? Ainda demos conta de espantar homens idiotas para bem longe de nós antes que tudo estivesse pronto. De barracas montadas e uma bela dose de desodorante, lá fomos nós receber o ano novo de 2008, lindas e maravilhosas. Na verdade, a regra gramatical nem me permite dizer assim, já que havia um homem entre a gente, o meu amigo Fernando, mas quando o assunto é festa, as mulheres têm a preferência! E já que éramos três e ele um, seguimos então impecáveis para o tal lual, depois de viajar por algumas horas e sem nenhuma perspectiva de banho!

Lá pelas tantas, começou a contagem regressiva. Antes disso eu havia mencionado o meu grande desejo de receber o novo ano próximo de água corrente, próximo de algum rio, cachoeira ou mar para poder agradecer a natureza e a Iemanjá a minha vida, além de pedir proteção para mais um ano. Sabendo disso, meus queridos amigos vieram me lembrar a poucos instantes da virada que havia ali a prainha do Rio Preto, caso eu quisesse festejar. Obviamente foi para lá que nos dirigimos na já mencionada contagem regressiva. De repente, ao som dos fogos de artifício que explodiam no céu feito buquês de flores de variadas cores, eu me vi abaixada na beira do córrego jogando água para cima juntamente com a Vanessa. Mas, para meu espanto, alguns instantes depois, Vanessa começou a sofrer de um peripaque imaginando que aquela água estaria poluída, que se tratava de esgoto. Então, eu, que meio sem entender nada por causa do barulho dos fogos, comecei a tentar desfazer o engano em vão. Rapidamente Vanessa se levantou da beira do córrego e saiu em direção às pessoas reunidas. Era uma singela multidão da cidade, que por falta de opção, só tinha aquele lugar para comemorar o Ano Novo.

Quando olhei para a minha direita, já vi que Vanessa andava em disparada à procura de um banheiro ou torneira que pudesse lavar os braços, onde ela acreditava ter jogado a água fétida de um esgoto imaginário. Meu Deus! E ela andava abanando-se toda, parecia que queria levantar voo de tanto que balançava os braços para cima e para baixo em sinal de desespero. Vendo aquilo, todos nós saímos correndo tentando convence-la de que estava errada, que aquela água era de um rio limpo, mas isso foi inútil para Vanessa. A pobre criatura não ouvia ninguém. Só pensava em se lavar, para isso rompeu uma fila enorme que havia no banheiro feminino e lá fui eu atrás dela. Passado o susto, pudemos desfazer o engano mostrando para nossa amiga Vanessa de onde a água vinha. Demos muitas risadas do episódio logo depois.

A noite então se seguiu tranquila quando abandonamos o show da banda, o que já era de se esperar, fala sério!! Então fizemos nosso próprio show ligando o som do carro e escutando realmente música de verdade. Passamos a noite, que ainda não era fria por completo, pulando os tufos de mato igual saci e tomando cuba-libre sem gelo até quase ás cinco da manhã. Claro que a ressaca seria monstruosa no outro dia, ainda mais com o sol rachando na barraca logo às 7h. Um poderoso agravante. Despertei suando debaixo das roupas de frio e das cobertas. O desespero foi tão grande para tirar tudo aquilo que me sufocava que acabei acordando a Vanessa que dormia ao meu lado. A barraca era dela.

Foi nesse momento que eu comecei a acordar todo mundo para que fossemos rapidamente para o Parque Estadual São Gonçalo do Rio Preto, que fica a 22 km da cidade pegando uma estrada de chão. Antes disso eu e Vanessa fomos tomar um banho animador no rio, o mesmo que ela havia acreditado ser poluído. Nem mesmo assim nosso casal vinte, Fernando e Dani, aprumaram seus corpos para seguir viagem. A demora foi tanta que acabamos chegando ao Parque às 11h da manhã. E a última turma havia saído naquele instante para as caminhadas que levam até as cachoeiras na companhia do guia. Regras são regras.

Na chegada, uma reserva permanente desde 1994, a exuberância me impressionou. Grandes formações rochosas da linda Serra do Espinhaço, céu azul e muito vento. Como o terreno é arenoso, as estradas são bastante problemáticas, ainda assim consegui ver algumas pinturas rupestres e também flores exóticas. À noite o céu é mesmo muito estrelado e os insetos me adoram. Me impressionou a simpatia dos funcionários do parque. Eles realmente gostam de trabalhar lá.

No Camping há áreas de convivência e um chafariz. Dormir ao som dos bichos e da água que cai dele é mesmo uma delícia. Pena que foi tão pouco tempo para estar lá no meio daquela natureza toda. Que beleza de paisagem. Pequi não sai do meu pensamento. E Dani e Fernando dormiram o tempo todo.

Jacó, o negro bonito que nos apresentou um vídeo sobre a história do Parque, é um jovem que parece ser bastante feliz com o que faz. Ele é natural de São Gonçalo e transmite muita segurança quando fala. Mas diz que mesmo, mesmo, gostaria de estar fazendo outra coisa. Ele tem uma banda. Utópicos. Ele conhece o som de vários bichos do Parque, que tem mais de 12 mil há. Ele tem uma boa voz, de cantador de primeira.

Cantiga de ninar, o rio é preto mesmo, mas a água é transparente. Os peixes chegam bem perto da margem. Dá para ver o pé lá no fundo remexendo na areia fina. Que Iemanjá leve para o fundo do mar toda a tristeza, inveja e angustia. Deixe aqui para sempre as nossas pegadas e sorrisos. No coração as boas imagens desse santuário do cerrado, Circuito dos Diamantes. Volto quem sabe um dia!! Nada é em vão!

O Parque fica na Região do Alto do Jequitinhonha.

Temperatura Média Anual: 22o C.

Distância da Capital: 363 Km

Ps:Mais informações no link acima.

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Um comentário sobre “Nada muito normal no rio que passou..

  1. Tom disse:

    Olá, acabei caindo de pára-quedas em seu blog porque penso em passar este reveillon no Parque do Rio Preto. Coincidencia saber que seu último foi em São Gonçalo!To imaginando as cenas da virada de ano..rsss…. O parque eu já conheço, maravilha pura. Belo relato, um abraço!

    Curtir

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