Seremos mais um pescado no final das contas!!

Recebi pela internet o seguinte texto da Rita LEE:
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade, até porque elas são desarmadas pela própria natureza: Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas,revólveres, flechas, espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem aos meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d’água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda. Rita Lee.

Rita Lee

Rita Lee

Bom, o problema é de novo se pensar em que paz estamos falando? Para quem essa tal paz vai servir. A Rita Lee só se esqueceu de mencionar o sexo frágil das mulheres, a boa e velha ideia de que mulheres são pura ternura e fragilidade. Essa lorota vem sustentando os argumentos do feminismo burguês há anos, transmitindo que mulher boa é aquela que é boazinha, submissa, cuida dos filhos e recentemente começou a trabalhar fora, que glória, competição no mercado de trabalho (mercado esse que ainda paga mais aos homens para exercer a mesma função). O ideário burguês elege a mulher mil e uma utilidades, que continua sendo em casa a mesma mulher docemente feliz que cuida dos filhos, lava passa, cozinha e usa os produtos de beleza para não estragar as mãos. A escravidão continua, a opressão continua, só que mascarada pelo ideal capitalista consumidor. Bom, devemos lembrar daquelas mulheres do povo, que pegam em armas sim para lutarem pelo que é seu, que fizeram revoluções em seus países ao longo da história por acreditar que somente uma revolução salvaria um verdadeiro país para seus filhos, mulheres de coragem, que passam longe desse discursozinho pacifista da Rita Lee e suas companheiras do “Saia Justa” do GNT (outro canal da Rede Globo à cabo), programa que por sinal é extremamente cheio de preconceitos e voltados para a mulher da elite, a mesma que um dia foi adolescente e que enquanto o bicho tava pegando no Vietnã ou no Araguaia, fazia passeata para usar mini saia e para queimar sutiã simplesmente porque era bonito fazer isso, porque estava na moda. Muita gente pode me criticar falando que tais atitudes mudaram e muito a velha concepção do mundo. De fato..mudou sim, hoje podemos estudar, usar as roupas que queremos, trabalhar onde a gente consegue competir e ser aceita.. Mas e aí? as condições não são as mesmas para todo mundo, já parou para pensar se uma mulher negra ganha o mesmo salário que uma branca? ou se uma negra consegue entrar numa mesma vaga de emprego? Sem falar nas mulheres camponesas e operárias, que dão duro em trabalho pesado e assim como outros homens precisam de ralar muito para conseguir centavos de real levando uma vida cheia de mazelas. Tá, beleza, mini saia é ótimo, mas existem outras tantas sérias questões que envolvem as mulhres hoje para a gente ficar aqui perpetuando o discurso pequeno burguês da Rita Lee. Devemos prestar mais atenção no que falamos, no que a tv nos conta, no que os artistas fingem viver.. devemos prestar mais atenção em tudo.. muito mais mesmo!!

 

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3 comentários sobre “Seremos mais um pescado no final das contas!!

  1. diogun disse:

    gostaria de trazer aqui tb as reflexões de um homem que tb pensa a respeito da opressão direcionado às mulheres e ao seu corpo. acredito que reduzir o debate da opressão de gênero somente às mulheres é como generalizar o tratamento dado às mulheres dentre os vários contexto em que elas estão inseridas. pensar que o problema não é o “pólo oposto” -o homem- mas sim todo um sistema cultural e tradicional denominado de patriarcalista e machista, sexista, é um passo grande para pensarmos em novas formas de liberdade e relacionamentos. porque, se entre as mulheres há diferenças, e se as mulheres sofrem com a opressão masculina, o “pólo masculino” tampouco é homgêneo e tampouco escapa das encruzilhadas e “dores” de se portar como o homem padrão. o que é ser homem na nossa sociedade? é, antes de tudo, ser machista, ter certos tipos de gostos (futebol, carro,sports de força, poder, etc ) e atitudes (relações extraconjugais, viril, trabalhador,etc) etc.. quem fugir destas regras IMPOSTAS pela sociedade machista aos nascidos com genitália de XY será taxado duramente, tanto pelos outros “homens” quanto por várias mulheres. muitos falam que com o machismo, são os homens que saem ganando e as mulheres são as vítimas. outros, para se isentar da culpa, falam que os dois são machistas e que isso nunca vai mudar. acredito que tanto os homens quanto as mulheres ganham e perdem com o machismo, porém, às mulheres são impostos os ônus da opressão, portanto são as mais penalizadas. logo, se há uma feminilidade burguesa, há tb uma masculinidade burguesa, que rege corpos, controla e oprime vontades e desejos. logo, antes de declarar guerra aos homens, esses porcos machistas, procure verificar quem, do lado oposto da força, que tb destruir esta condição desprezível de ser machista. tamuaí

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  2. di oliveirah disse:

    hoje vivo, simplesmente vivoespero a chuva cairdesobstinadamente leio livrovejo tv querendo sair corro em terrenos áridoso sol consome minha vontademeus escritos se tornaram mais pálidosdas parábolas tenho saudade eu quis te telefonar, mas não pudeeu quis escrever, mas tempo não háeu quis ser querido, mas não me iludeeu quis que me lesse, mas tempo não há falar de amor é ilusão e reacionárioa felicidade é o nosso imperativoa paixão é um sofrer desnecessárioa liberdade é um sonhador cativo sou feliz agora e gosto dissoquero viver, mesmo sem poesiamas a busca pela paz e verdade [é meu compromissose for sem paixão, que seja também [hipocrisia. belorizonte17-09-007d.o.

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