Sobre o Fim do Sem Fim

Vi o Fim do Sem Fim. O documentário, do trio de diretores formado por Lucas Bambozzi, Beto Magalhães e Cao Guimarães, aborda o tema da extinção, mas não de objetos ou lugares, e sim de profissões. É muito bom o filme. Gostei imensamente dos personagens, dos profetas populares. Morri de rir algumas vezes e fiquei triste em alguns momentos. Principalmente porque as pessoas que estavam no cinema não souberam respeitar o saber popular e sempre ridicularizam tudo, acham que são verdadeiros palhaços quando na verdade são uma gente humilde e simples que estão falando coisas sérias e de muita verdade para eles mesmos, é isso que querem passar, e não fazer rir com seu linguajar diferente. Sempre achei que esse público novelesco, que acha lindo as novelas da Globo ambientadas em um nordeste fictício de Projac, não tem a menor capacidade de apreciar o que está por trás de um sotaque, aprender com isso.

Cheio de umas imagens meio envelhecidas e outras digitais como estamos acostumados a ver. Rodado em 16mm, Super-8 e DV nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Ceará, o filme retrata a inventividade e resistência do brasileiro diante das mudanças tecnológicas e culturais. A produção do filme é da Bananeira Filmes, que tem à frente Vania Catani, montesclarense como eu. O coquetel depois da sessão também foi bom, no mesmo estilo, o povinho da classe cinematográfica belorizontina empafiosa e muita vezes repugnante, que acredita no fato de que se conversarem com alguém que não faz parte desse povinhos suas línguas e dentes irão cair. Então, fui, falei, sorri, vi tudo isso. Senti um pouco de nojo, e incomodei assim mesmo. No sentido de que não sou famosa, não passo férias em Paris ou NY todo ano, não fui selecionada para exibir em festivais internacionais (ainda), mas sei falar de cinema, sei criticar o que acho errado sem precisar vomitar o meu nojo diretamente.

Na Folha de São Paulo de sexta-feira (10/08) saiu uma matéria de um crítico, que não assina, falando bem do filme. Mas a foto ao lado é da Débora Falabela beijando o Fábio Assunção, em cena do filme O Primo Basílio de Daniel Filho, que ainda sequer estreou, mas já tem 800 cópias para o Brasil e começou a overdose de anúncios massivos. Como se não bastasse, logo abaixo, no setor destinado para anúncios da Folha, que é quase toda ela por sinal, também tem o anuncio oficial do filme. PUTS! Cara, mesmo os banbanbans mineiros, CaÔ Guimarês e Cia, sofrem com coisas promíscuas do tipo. Fico a imaginar!

Essa semana também (19/08) o Daniel Filho saiu no jornal O TEmpo falando para o repórter Marcelo Miranda, que “faz filme para comer”, que o problema do cinema brasileiro são os roteiros caducos que levam anos para se realizar e ficam ultrapassados, que tudo que tem se produzido é ruim e que o problema nunca foi exibição e distribuição como se fala por aí. O problema, segundo ele, é que todo mundo resolveu só fazer filmes para festivais, e não para o povão.

Que imbelicilidade maior! Sempre foi uma questão de exibição e pouca distribuição sim. O famoso “homem dos milhões de espectadores” ignora que os baixos orçamentos custam e muito a se realizar por conta da burocracia das leis de incentivo. Se não fossem elas eu nem sei, apesar de que se transformaram em um ciclo vicioso. E ignora também que talvez fosse melhor investir mais nos filmes “que são feitos para Festivais”, porque pelo menos eles poderiam chegar mais ao público “povão” que ele chama e contribuir mais para um educação pelo cinema. O Cinemão feito por ele para comer, tira a comida de muitos brasileiros, porque fomenta a alienação, a falta de consciência crítica e reproduz o dramalhão das novelas globais.

Se dramalhão tem espaço no cinema da Globo Filmes e dos grandes exibidores, façamos então um que reproduza nas telas as histórias reais dessa classe mesquinha que está aí, assim como Machado de Assis fez ironicamente em seus livros, reproduzindo a burguesia para que ela mesma a veja ali e seja obrigada a engolir a sua própria escrotidão.

Em breve verei Primo Basílio e te conto. Saneamento Básico eu deixo para ver outro dia, na sessão da tarde ou algo parecido.

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2 comentários sobre “Sobre o Fim do Sem Fim

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